Guia dos brechós

De cara, já vou dizer: fazer achados por aí não é nada fácil. Sei disso porque, durante muito tempo, visitava brechós e saía de mãos abanando, sempre pensando que o problema não estava comigo: era o brechó que era ruim. Hoje, um tempo depois, revi meus conceitos posso afirmar que são raros os brechós ruins. Existem, claro, os desorganizados, os um pouco sujinhos, aqueles cujas peças não tem nada a ver com você. Mas olha, com algumas dicas não é difícil achar um item que agrade e, o melhor, com um preço incrível

Pensando nisso, decidi montar um guia (sem pretensões de mudar o mundo) para ajudar as pessoas que querem visitar os brechós e bazares sabendo de algumas peculiaridades.

Santa paciência: realmente, deve ser algo divino, porque a paciência de quem quer fazer achados em um brechó tem que ser grande. A questão é que os brechós não são como as lojas: não são todos extremamente organizados, a peça que você gostou possivelmente não terá em um número maior e nem em outra cor. Por outro lado, você pode conseguir comprar peças ótimas pagando muito pouco. No mais, quando decidir ir a algum brechó, tenha consciência que será uma tarefa um pouco demorada e vá com tempo.

As expectativas: um grande inimigo dos brechós são os ideais que propomos quando saímos de casa. Pensamentos como: “Ai, quero achar aquela camisa pro meu look color block, com bolsos na frente e no tamanho M, mas tem que ser de seda” ou então  “Quero uma bolsa de couro perfeita, modelo carteiro, em bom estado e preço até X reais”. Pensamentos assim devem ser esquecidos, até porque dificilmente serão realizados. Traçar alguns objetivos mais amplos, como procurar, por exemplo, por saias e acessórios é super válido e até ajuda! Mas não idealize os detalhes da peça para não se frustrar. O grande barato dos brechós é a surpresa de encontrar algo bacana sem estar esperando.

. Provador já! A maioria dos brechós que vou tem provador, então, utilize-o! Nunca compre a peça sem experimentar para não chegar em casa e fuén fuen: ela não servir ou ficar totalmente diferente do imaginado.

A compulsão: ok, pras loucas por roupas, acessórios e itens de moda, um brechó é o paraíso com seus precinhos incríveis. Mas não é por isso que você precisa sair de lá com milhões de coisas que nunca vai usar. Use o mesmo princípio que utiliza com as compras em lojas convencionais: só compre se tiver certeza que vai usar (mesmo que nunca o faça, é um bom princípio de exclusão). Pegue as peças que gosta e, ao final da compra, selecione as mais bacanas.

Raio X: Depois de escolher as peças preferidas, analise uma por uma procurando defeitos. Já comprei blusas lindas, mas com furos de traça, rasgos escondidos e coisas que não poderiam ser consertadas por simples distração. O destino? Lógico, doação.  Dê uma boa analisada e só compre se os defeitos forem fáceis de arrumar.

Dinheiro. Sim, sem a ilusão de que brechós aceitam cartões de crédito ou débito. Um ou outro até podem aceitar, mas, se você não conhecer, o melhor é levar dinheiro vivo. Sempre que vou levo cerca de 30 reais, mas cada brechó tem seus preços, alguns mais caros e outros mais baratos. Uma boa dica é: se você for em algum brechó em outra cidade, leve um pouco mais para não se arrepender depois.

Os cuidados. Ao chegar em casa, o melhor a fazer é lavar ou limpar as peças com cuidado, respeitando as indicações de lavagem para cada tecido. Quando é necessário algum reparo, logo depois levo para a costureira ou sapateiro (ansiosa!). Assim, quando você precisar usar a peça, ela vai estar limpinha e arrumada. As roupas, quando delicadas, lavo a mão e os sapatos e bolsas passo um pano úmido para tirar a poeira e sujeiras superficiais. Logo depois, é bom fazer uma limpeza interna com sabão e externa com algum produto específico para o material.

Para saber, muitas peças de brechó são compradas em ótimo estado e outras nem tanto. Algumas dá para arrumar, melhorar muito, mas ainda assim não ficam como novas. Mesmo assim, são peças incríveis e únicas. Tem uma bolsa que é minha paixão, tenho até dó de usar, mas ela tem alguns defeitinhos e parece um pouco velha por conta disso. Mas é uma bolsa única, fofa, com detalhes que nunca acharia em outra. O melhor: custou R$1 e é de couro. Incrível!

Ah, e outra coisa: nunca julguem um brechó pela sua aparência. Já fui em lugares aparentemente ruins que achei diversas coisas boas e outros, com boa aparência, em que não achei nada!

Update: Esqueci de uma coisa: muitas compras, com uma reforma na costureira ou sapateiro, viram uma nova peça! Vale a pena imaginar um vestido mais curto ou adaptada para o seu tamanho, uma bolsa pintada ou um sapato reformado, principalmente pelo preço inicial!

Foto: Escambo Fashion